quinta-feira, 1 de maio de 2014

Igualdade de oportunidades para o trabalhador

Foto: Internet
Em 1956, os candangos construíram na Candangolândia, voluntariamente, a primeira igrejinha do Distrito Federal. Feito de madeira, o singelo e histórico templo foi batizado com o nome do padroeiro dos trabalhadores: São José Operário.

Passado mais de meio século, o que o trabalhador mais queria ver hoje era o Estado cumprindo o seu papel com todos aqueles que fazem de seu ofício um meio digno de sobrevivência. Não pensem que estou pedindo mais paternalismo do que já existe hoje. Para não deixar dúvidas, recorro ao velho e sábio Luiz Gonzaga, que diz em Vozes da Seca:

 ...Mas doutor uma esmola/ A um homem que é são/Ou lhe mata de vergonha/ Ou vicia o cidadão.

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Quando o trabalhador, indistintamente de sua condição econômica, tiver acesso a ensino público de qualidade, saúde e a outros serviços básicos eficientes, dignos de uma das maiores economias do mundo, todos vão bater palmas para valer. Pois assim ninguém dependerá do assistencialismo que humilha, subordina e atrofia o caráter, como ensina o Reio do Baião. Terá condições de brigar de igual por igual no mercado de trabalho e alcançar, por seus próprios méritos, a qualidade de vida condizente com uma verdadeira cidadania. Por isso, neste emblemático dia, parabenizo a todos com uma breve porém libertária conclamação: “Igualdade de oportunidades”.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Leão usa dois pesos e duas medidas para morder o cidadão

Foto: Internet

Hoje e durante todo este mês de abril milhões de cidadãos tornaram-se, mais do que nunca, verdadeiros pobres mortais diante dos dentes afiados do Leão. Isso porque o governo federal tem usado dois pesos e duas medidas para cobrar o Imposto de Renda dos brasileiros.

Enquanto nos últimos 17 anos, o IGPM-M foi reajustado em 335%, na hora de o cidadão aplicar os descontos relativos aos pagamentos efetuados no ano-base 2013, a Receita Federal, em alguns casos, só colocou na balança 90% em favor do contribuinte. Exemplo: o desconto permitido com gastos com educação em 1996 era de até R$ 1.700. Hoje, ficou em R$ 3.230,46. Se fosse aplicado o índice real, o contribuinte  teria direito a um abatimento de R$ 7.389,00.

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Tenho certeza de que todo cidadão não se negaria a pagar, com prazer, impostos socialmente justos, vendo o resultado traduzido nas ruas, com ensino, saúde, transportes públicos, segurança e saneamento básico de qualidade. Colocando na balança, é fácil perceber que o Estado é um grande sonegador.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Expedição 4 Cantos começa com o pé direito


Foto: Marcos Paixão
Quando o sol amanheceu estalando no último sábado, interrompendo uma sequência de dias chuvosos, disse comigo mesmo: até a natureza está do lado do projeto Expedição 4 Cantos.  O entusiasmo do público que compareceu à mística Ermida Dom Bosco comprova que a proposta que tive a felicidade de idealizar foi abraçada pela população de Brasília já a partir de seu lançamento.
A força da juventude estava ali representada pelos grupos de ciclistas, cavaleiros e amazonas, motociclistas, jipeiros e pelos alunos e alunas da rede oficial de ensino de Planaltina. A Expedição 4 Cantos é a cara da população brasiliense, que tem como traço forte a diversidade cultural.

Foto: Marcos Paixão
O projeto também tem a marcada diversidade, pois está estruturado sobre uma matriz multidisciplinar. Desenvolve-se em quatro rotas que saem da Ermida Dom Bosco e vão até os vértices formados pelo quadrilátero do mapa do DF. Por elas, acontecerão atividades de educação ambiental, de fomento ao turismo, esporte e lazer, e da divulgação da cultura regional, incluindo a sua rica culinária.  Uma rota já foi inaugurada. Agora, vamos caminhar, pedalar, cavalgar, proteger o meio ambiente, aventurar pelas trilhas em duas ou quatro rodas para implantar as outras três.
Foto: Marcos Paixão
Foto: Marcos Paixão


Foto: Marcos Paixão







sexta-feira, 25 de abril de 2014

Mordomia de reis


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Brasil x Espanha. Quem ganha? Brasil, claro!  Até arriscaria o otimista palpite do final da Copa das Confederações: três a zero. Embora estejamos às vésperas da Copa do Mundo, a conversa aqui não é sobre futebol, mas sobre os valores que o cidadão brasileiro paga pelos serviços de um parlamentar na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Nessa disputa, o time espanhol vence por dez a zero, jogando descalço e de olhos fechados.

No Brasil, um parlamentar no Congresso Nacional custa mais de R$ 10 milhões por ano ao contribuinte. Na Espanha, fica por cerca de R$ 850 mil, segundo um dos levantamentos da ong Transparência Brasil.

A herança medieval da monarquia, marcada pelos privilégios da corte em detrimento dos interesses do povo, fez escola em nosso país. Curioso é que na vizinha Argentina a coisa não pegou tanto. O custo de um congressista fica na média de R$ 1,3 milhão por ano.

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Na Suécia, país que detém uma das maiores rendas per capitas do mundo, o parlamentar não tem salário fixo, ganha uma modesta indenização por sessão trabalhada para aprovar algum projeto, não dispõe de carro e motorista pagos pelos cofres públicos, telefone, passagens aéreas e outras benesses brasileiras.

Mudança de cultura leva tempo. Uma das maneiras do cidadão interferir, acelerar o processo para mudar o país é atuando diretamente pelos caminhos que a própria democracia oferece. Um deles é votando.

 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Pluft, acabou a luz!

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De repente, um clarão no céu, seguido de grande estampido e tudo fica escuro. Começa então o apalpamento meio sem rumo atrás de um toco de vela e da esquecida caixa de fósforo. Quem sabe, a velha lanterna? Sem pilha. O jeito é apelar para a multifuncional e salvadora luz do celular. Cenas como essas devem ter sido vividas pelos milhares de moradores da Asa Norte e de outras localidades do Distrito Federal, surpreendidos com o apagão de ontem à noite.
O episódio mostra mais uma vez como o homem continua vulnerável às leis da natureza. A população da cidade de São Paulo, por exemplo, há meses vive amedrontada pelo fantasma do racionamento. Isso às vésperas de sediar a abertura da Copa do Mundo da Fifa. Tudo depende do humor de São Pedro. Ou seja, basta faltar chuva ou um cabo de rede arrebentar durante uma trovoada, como foi o caso de Brasília, todo mundo fica na mão.

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Há algumas décadas soava bem dizer que o Brasil tinha vocação para hidrelétricas. Mas os tempos são outros. Os avisos da natureza mostram que precisamos investir em novas fontes de energia, como a proveniente da luz solar, farta em todo território nacional. A diversificação da matriz energética é fundamental para garantir o desenvolvimento sustentável do país. Do contrário, toda a atividade econômica continuará andando por um fio. E lentamente.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

A imprensa e “o dever da verdade”


O sociólogo Marshall McLuhanensina em sua obra homônima que “O meio é a mensagem”, trabalho que logo se tornaria referência obrigatória nos cursos de Jornalismo do mundo inteiro. Com a frase-título, o estudioso canadense já previa o determinismo tecnológico que hoje domina as diferentes atividades humanas.


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Mas, antecipando-se às previsões do canadense, nosso brasileiro Rui Barbosa, em meados de 1920, já se preocupava com uma questão cuja importância está acima dos avanços da tecnologia na imprensa: á ética da profissão de jornalista. Em 1920, o ilustre baiano resumia seu ensinamento na frase que dava nome a uma de suas concorridas palestras: “O dever da verdade”.

 
Para Rui Barbosa, "A imprensa é a vista da Nação". Por isso, como uma preciosa ferramenta, precisa, antes de tudo, ser limpa. Do contrário, em vez de fazer o papel de olhos ou de um lapidado cristal, torna-se uma “lente turva”, cede espaço à obscuridade que cega a notícia da realidade e, por consequência, a própria, sociedade.


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A imprensa é um serviço de utilidade pública em seu sentido literal. Por isso, um dos elementos fundamentais que diferencia algum fato da notícia é o interesse público da mensagem veiculada.

É fácil concluir que os colonizadores impuseram um preço elevadíssimo aos brasileiros, ao proibirem a circulação de qualquer publicação no país. Foram três séculos de censura. Mas o jornalismo brasileiro deu a vota por cima. E, ao comemorar o dia da categoria hoje, Brasília contribui para fortalecer a memória da imprensa do país, ao estampar nas bancas e nos meios digitais o nome do primeiro jornal brasileiro, o Correio Braziliense, originalmente lançado em Londres pelo exilado e idealista Hipólito José da Costa. Detalhe: a edição era de 1º de junho de 1808, chegou ao Rio de Janeiro em outubro, mas foi logo apreendida pelo governo.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Transporte público vive décadas de atraso

Foto: Internet
A viagem experimental do Expresso DF, sistema conhecido pelas iniciais BRT, de Bus Rapid Transit, pelo trecho Gama-Plano Piloto, cria um alento de dias melhores para os usuários e estimula a discussão sobre o caótico transporte público que inferniza a vida de milhões de brasileiros.
 A falta de interesse em equacionar as necessidades básicas da população fez com que governantes, ao longo de décadas, ignorassem a necessidade de investir em um sistema de transporte público eficiente no Brasil. Refiro-me àqueles sobre trilhos. Para se ter ideia, enquanto Nova York inaugurou sua linha de metrô em 1904, o primeiro metrô do Brasil, o da cidade de São Paulo, começou a rodar setenta anos depois, em 1974, quando a capital já possuía cinco milhões de habitantes.  E o de Brasília, dominada até pouco tempo por um cartel de empresas, só entrou em operação em 2001.
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Ao fechar os olhos para o problema, atendendo interesses das montadoras de automóveis, sucessivos governos transferiram para o bolso da população o ônus do transporte público, que, nos países verdadeiramente desenvolvidos, é arcado pelo Estado.  Contando apenas com o obsoleto e sofrível sistema de ônibus, o cidadão sentiu-se obrigado a adquirir seu carro, cujo preço é absurdamente majorado pela bola de neve dos impostos e, mais recentemente, pela agiotagem das linhas de crédito a perder de vista.

O conceito de cidadania, muito em moda na retórica oficial, não passa de palavra vã. Porque a verdadeira cidadania implica garantir acesso a serviços públicos de qualidade à população, entre eles, o de transporte. Enquanto se isso não acontecer, continuaremos andando de ré.